Parte II - Um estranho à minha porta
Quando se está em um profundo estado de transe, o mundo ao redor parece deixar de existir, em um certo intervalo de tempo. Com certeza, estive num outro lugar, fora da Terra, fora deste Universo, há alguns segundos, mas já voltei, e para o mesmo local de sempre. É meio triste saber que estive quase todos os dias, nesses últimos anos, nesse mesmo lugar, como um canário na gaiola; embora eu não esteja reclamando disso, pois vivo bem aqui e gosto desse meu lar. Eu só acho que a vida poderia ser mais interessante como nos livros que li recentemente. Os títulos deles não importam, nem os gêneros; ou pelo menos não por agora. Enfim, preciso abrir logo a porta, antes que seja tarde demais. Num minuto, estará destrancada.
Quanto às chaves, elas se encontravam penduradas num porta chaves, logicamente, logo ao lado da porta. Ele é um tanto bonito e modesto, mas ao mesmo tempo é meio solitário e pouco útil - apesar de apresentar vários ganchos, somente um deles é utilizado para guardar ambas as chaves. Mesmo assim, gosto dele - consegue decorar muito bem a parede da sala. Oposto a isso, as chaves são velhas e um tanto escurecidas com o tempo e a sujeira, e por isso não convém comentar muito sobre como são, mas como já foram - brilhantes e encantadoras. Quando eu tiver tempo, dar-lhes-ei um jeito, limpando-as ou trocando-as. Elas pertenceram a muitas pessoas queridas, nos momentos nos quais esta sala fora uma de suas posses. Mas não cabe a mim continuar usando-as se perderem sua importância e função. Creio que logo se aposentarão, numa caixa de lembranças...
Quanto às chaves, elas se encontravam penduradas num porta chaves, logicamente, logo ao lado da porta. Ele é um tanto bonito e modesto, mas ao mesmo tempo é meio solitário e pouco útil - apesar de apresentar vários ganchos, somente um deles é utilizado para guardar ambas as chaves. Mesmo assim, gosto dele - consegue decorar muito bem a parede da sala. Oposto a isso, as chaves são velhas e um tanto escurecidas com o tempo e a sujeira, e por isso não convém comentar muito sobre como são, mas como já foram - brilhantes e encantadoras. Quando eu tiver tempo, dar-lhes-ei um jeito, limpando-as ou trocando-as. Elas pertenceram a muitas pessoas queridas, nos momentos nos quais esta sala fora uma de suas posses. Mas não cabe a mim continuar usando-as se perderem sua importância e função. Creio que logo se aposentarão, numa caixa de lembranças...
Viradas as chaves nos trincos, enfim, abri a porta. Era um senhor, muito bem vestido, que esperara pacientemente por mim. Nunca o vi na vida, nem parecia-me familiar, mas não aparentava ser qualquer tipo de ameaça. É claro que nem todos os assassinos se parecem com assassinos, e nem todas as pessoas boas podem parecer boas, mas ele era diferente, muito diferente. Não sei explicar exatamente qual é a sensação que ele transmite, contudo é algo pacífico e inofensivo. À propósito, esse senhor não é um homem velho, muito menos jovem - talvez tenha entre 30 e 40 anos, ou pelo menos, é sua idade aparente. Geralmente, recebo jovens estudantes ou velhos jornalistas, mas não acho que ele seja algo do gênero.
Como costumo receber muitas visitas, tive contato com diversas culturas, opiniões e ideias, e isso me ajuda bastante no que faço. Não sei exatamente porque tanta gente vem aqui, apesar de que ninguém aparece há mais de um mês; creio que seja comum em minha profissão. Porém, este estranho homem, ou melhor, desconhecido senhor, é o tipo de visitante que eu não esperava encontrar, é um tanto pouco falante e levemente tímido. Não faço ideia de quem seja, por isso estou interessadíssimo em conhecê-lo.
E, assim, ficamos nos olhando por algum tempo, com a mente indo longe e voltando, constantemente, num profundo silêncio, até que ele começou a procurar algo no bolso do casaco. Era um envelope.
Como costumo receber muitas visitas, tive contato com diversas culturas, opiniões e ideias, e isso me ajuda bastante no que faço. Não sei exatamente porque tanta gente vem aqui, apesar de que ninguém aparece há mais de um mês; creio que seja comum em minha profissão. Porém, este estranho homem, ou melhor, desconhecido senhor, é o tipo de visitante que eu não esperava encontrar, é um tanto pouco falante e levemente tímido. Não faço ideia de quem seja, por isso estou interessadíssimo em conhecê-lo.
E, assim, ficamos nos olhando por algum tempo, com a mente indo longe e voltando, constantemente, num profundo silêncio, até que ele começou a procurar algo no bolso do casaco. Era um envelope.
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